Dia do Zeppelin no Distrito C

Memória, Patrimônio Histórico, Turismo

Fotos Zeppelin 1934 © J.P. Herrmann

manchete A Federação

Jornal A Federação, 29 de junho de 1934.

No dia 29 de junho de 1934, o LZ 127 Graf (“Conde”) Zeppelin passou sobre Porto Alegre. Às 13 horas e 20 minutos a aeronave surgiu no horizonte, vinda do Norte, sobrevoou o bairro Floresta, em direção ao Centro,  passou muito próximo do Palácio Piratini, deu duas voltas e rumou Sul, em direção à Buenos Aires. Foi a única vez que o Graf Zeppelin foi a Buenos Aires.

Por isso, dia 29 de junho será no Distrito C, o Dia do Zeppelin, para lembrar essa data que causou sensação na cidade. Muitas fotos foram tiradas e duas delas, de autoria de Jacob Prudêncio Herrmann, foram reunidas, conforme se pode ver na primeira foto desse post.

Nelas aparecem os dois prédios de Josep Lutzenberger, projeto de 1928, onde atualmente está localizado o Vila Flores, que sedia os seguintes participantes do Distrito C: Estúdio Hybrido, Projeto Vuelta al Mundo, Ato Espelhado Companhia Teatral e Caixa do Elefante.

Seu Dilvo, antigo morador do bairro, que participou da Expedição Floresta 2, e sempre nos dava alguma explicação.

Alguns dos moradores antigos, como o seu Dilvo (foto), que tinha 6 anos na época, lembram de ver o Graf Zeppelin passar, uma imagem que ficou marcada na memória e que é parte da história onde está o Distrito C.

Origens dos Zeppelins

Os Zeppelins tiveram seus primeiros voos comerciais iniciados em 1910 pela DELAG, a primeira companhia aérea do mundo em serviço comercial e, quatro anos após o início de suas operações, em meados de 1914, a DELAG já havia transportado mais de 10.000 passageiros pagantes em mais de 1.500 voos. Após o enorme sucesso do projeto Zeppelin, a palavra Zeppelin passou a ser comumente utilizada para se referir a todos os dirigíveis rígidos.

Durante a Primeira Guerra Mundial, os militares alemães fizeram uso extensivo dos Zeppelins nos primeiros bombardeios aéreos da história, matando mais de 500 pessoas apenas na Grã-Bretanha. Com a derrota da Alemanha em 1918, o negócio de dirigíveis temporariamente desacelerou, pois embora a DELAG houvesse estabelecido um serviço diário regular entre Berlin, Munich e Friedrichshafen em 1919, os dirigíveis construídos para essa ocupação, eventualmente tiveram que se render aos termos do Tratado de Versalhes, que proibiu a Alemanha de construir grandes aeronaves. Entretanto, uma exceção foi feita permitindo a construção de um dirigível para a marinha americana, o que acabou por salvar a companhia da extinção. Em 1926 as restrições sobre a construção de dirigíveis foram levantadas e com a ajuda de doações do trabalho público foi iniciada a construção do LZ 127 Graf Zeppelin, o dirigível que veio a Porto Alegre. Seu grande idealizador e comandante foi o Dr. Hugo Eckener.

Sobre o LZ 127 Graf Zeppelin
Essa aeronave tinha 213 m de comprimento, 5 motores, transportava 20 passageiros e cerca de 45 tripulantes e um volume de carga de 105.000 m², sendo o maior dirigível da história até a data de sua construção.
Sua estrutura era baseada numa carcaça de alumínio, revestida por uma tela recoberta por lona de algodão, pintada com tinta prata, para refletir o calor.
O primeiro voo de longa distância aconteceu em 1928, ligando Frankfurt a Nova York, e durou 112 horas. Em 1929 foi feita a primeira viagem ao redor do mundo. Mas devido ao incêndio do outro dirigível, o Hindenburg, nos Estados Unidos, em 1937, o Graf Zeppelin foi retirado de serviço.

Áudio do segundo episódio de “O Zeppelin no Rio Grande do Sul”. Programa produzido pelo pesquisador e jornalista Marcello Campos para a Rádio Guaíba em outubro de 2009. Locução: Rui Strelow Pesquisa, produção e redação: Marcello Campos Técnica: José Bitencourt

Para entender o que significou a passagem do Graf Zeppelin, vejam esse documentário, baseado no diário de uma jornalista americana, que participou da volta ao mundo nesse dirigível em 1929, 5 anos antes dele sobrevoar Porto Alegre.
Poucos meses depois dessa viagem em agosto, a Grande Depressão começou em 24 de outubro de 1929.

Vídeo mostrando a chegada do Graf Zeppelin a Pernambuco e Rio de Janeiro, em 1932.
Flying Down to Rio, nº 4

Hugo Eckener era o comandante da aeronave e principal responsável por todo o projeto empresarial. Era uma figura pública muito conhecida na Alemanha e no exterior, principalmente após a volta ao mundo no Graf Zeppelin. Ele pensou em concorrer contra Hitler nas eleições de 1932. A partir de 1933, os nazistas que estavam no poder tentaram se aproveitar do enorme sucesso internacional dos dirigíveis para sua propaganda, embora seu comandante, Eckener, que passou por Porto Alegre, fosse um antinazista convicto, e por isso acabou sendo perseguido e afastado.

Em 2 de agosto de 1934, poucos dias depois da passagem do Graf Zeppelin por Porto Alegre, o Presidente Hindenburg morreu. Hitler apoderou-se do seu lugar, fundindo as funções de Presidente e de Chanceler, passando a se autointitular  Líder (Führer). Eckener foi proibido por Goebbels de ser mencionado pela imprensa alemã. Como Eckener já era um ícone cultural solidamente estabelecidos quando os nazistas chegaram ao poder, era difícil separar sua imagem e seu carisma público do Zeppelin. Para os americanos ele era a incorporação das melhores características empreendedoras alemãs, um Magalhães, um Colombo. Ele tinha o respeito mesmo da França, que lhe concedeu prêmios importantes.  (Zeppelin!: Germany and the Airship, 1900–1939, Guillaume de Syon)

O que aconteceu com o Graf Zeppelin, que sobrevoou Porto Alegre?
Depois do desastre nos EUA, em 1937, com o dirigível LZ 129 Hindenburg, ele foi retirado de operação, em 1940 foi desmanchado e sua estrutura de alumínio foi utilizada para a confecção de material bélico alemão na Segunda Guerra Mundial.

Mais info sobre o LZ 127 Graf Zeppelin na Wikipedia

Série de documentários The Airships, sobre a história completa dos dirigíveis, ou “zeppelins”, de 1890 até projetos atuais de reutilização.

1. The Airships – Lift Off (1890-1922)  / as origens
2. The Airships – Ship of Dreams (1923-1930)  / as grandes viagens de exploração e a volta ao mundo
3. The Airships – Forced Landing (1931-present) / viagens ao Brasil, uso como propaganda nazista

Desafio Zeppelin

Neste ano o desafio foi reunir interpretações artísticas atuais, contemporâneas, desse evento de 1934 ou do dirigível. Pinturas, colagens, objetos, etc., foram enviadors para agenciaurbsnova@gmail.com e publicamos na Galeria Desafio Zeppelin.

Veja a Galeria Desafio Zeppelin com fotos de obras de 8 participantes.

DesafioZeppelin

Para inspirar os participantes, disponibilizamos um texto que descreve a recepção em Porto Alegre e algumas dessas famosas fotos tiradas naquele dia em Porto Alegre e em outras cidades do mundo, por onde o Graf Zeppelin passou.
Caso saiba o autor de alguma foto, nos ajude a identificar.

Porto Alegre, 29 de junho de 1934.

descrição

A Federação

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Sobre o bairro Floresta. Foto Oscar Petersen (acervo Graça Petersen)

Graf Zeppelin sobrevoando a Av. Voluntários da Pátria.

Graf Zeppelin sobrevoando a Av. Voluntários da Pátria.

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Rua da Praia, na altura da Praça da Alfândega.

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Sobre o  Palácio Piratini. Foto Eduardo Hirtz (acervo Rejane Hirtz Trein)

Em razão da passagem do Graf Zeppelin, nos anos 30, surgiu na esquina das ruas Hoffmann e São Carlos, na mesma década, o Bar Zeppelin, um famoso bar para alemães e pilotos da Varig. O telhado do prédio aparece na primeira foto desse post.

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Foto Jacob Prudencio Herrmann

Conheça mais sobre a história desse prédio, que está no Plano de Economia Criativa – UrbsNova.

Depois de sobrevoar Porto Alegre em 1934, o Graf Zeppelin passa sobre Montevidéu, a caminho de Buenos Aires.

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 A chegada do Graf Zeppelin a Buenos Aires, onde pousou por alguns minutos, depois de passar por Porto Alegre e Montevidéu.

El aparato echó amarras – como un barco – en Campo de Mayo, ante la multitud hipnotizada, y los 200 soldados que se apresuraron a atar los cabos a un enorme mástil construído apresuradamente a tal efecto. Eran exactamente, como lo consignó la prensa, las 9,47 hs.
Se abrió la puerta y el primero en descender ante el entusiasmo y vítores de los miles de espectadores, fue el capitán, Dr. Hugo Eckener, de gorro naval y saco de cuero blanco. Se saludó con las autoridades, mientras se procedía a bajar la correspondencia y cargar agua
Pocos minutos después se embarcaron quienes habían descendido y exactamente a las 10,30 hs, el Graf Zeppelín partió, para nunca volver.”

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Buenos Aires

Vídeos do mesmo Graf Zeppelin que sobrevoou Porto Alegre, chegando e partindo de Buenos Aires.

Fotos do Graf Zeppelin em outras cidades, nos anos 20-30.

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Barcelona

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Créditos
Ideia original: Cícero Neves, do Ato Espelhado Companhia Teatral logofacepeq, participante do Distrito C.
Desenvolvimento: UrbsNova Agência de Design Social.

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